
Além
de ser algo totalmente ultrapassado, os orelhões rareiam em São Paulo.
Mas nada como uma boa campanha de marketing mascarada por um propósito
artístico para dar ao objeto um caráter indispensável.
Até 24 de junho a cidade abriga a “Call Parade”, uma exposição que reúne
100 orelhões “interferidos” por artistas paulistas que estão
distribuídos em oito circuitos por toda a cidade. Noventa artistas foram
selecionados por um comitê organizador e dez foram convidados.
A ideia surgiu a partir da “Cow Parade”, exposição semelhante que
anualmente desde 2005 espalha vacas criadas por diversos artistas em
pontos específicos de São Paulo.
Mas ao contrário da “Cow”, a “Call” é menos elitista. Há orelhões em bairros populares como Paraisópolis e Parque São Jorge.
O objetivo da patrocinadora, a “Vivo”, é comunicar a mudança da
identidade visual dos aparelhos, que nos próximos meses serão trocados
por versões nas cores laranja, roxo, azul e verde. A ação pretende
estimular também a boa conservação de orelhões que ainda são alvos de
depredação.
Com toda a certeza a “Vivo” conseguiu chamar a atenção. Os orelhões são
lindos. Alguns foram “interferidos” apenas na parte externa, mas alguns
receberam pintura também na parte de dentro.
Há uns orelhões bem óbvios, como um capacete (de Diego Peres), uma
melancia (de Silton Paternezi), uma joaninha (de Danyael Lopes) e outro
que estampa uma orelha e seus respectivos pontos de acupuntura (de
Cristina de Albuquerque Azevedo).
Mas a maioria foi muito criativa. Um deles tem um visual interessante:
um globo espelhado das casas noturnas (de Emili Akemi). Outro, de Eloi
de Souza, chamado “Boca de Sapo”, tem até olhinhos. Por dentro é
vermelho.
O “Wirelhão” (de Fabio Malx) imita aqueles abajures de fibra bem bregas
que quando ligados giram e suas fibras mudam de cor. Brega e curioso.
O “Jacall: Enfiando a cabeça na Jaca” (de Kiko Cesar, Luiz Roberto de
Almeida e Felipe Madureira ) é interessante por subverter a ideia do
enfiar o pé na jaca. Por fora, claro, é uma jaca. Por dentro, é pintado
como a fruta.
Outro curiosíssimo é o trabalho de Ricardo e Julia Paoliello (pai e
filha), autores de “Ora Pois!”. O orelhão da dupla tem as cores
portuguesas e um lápis enfiado na lateral.
Merece destaque também esse aí em cima, de Carla Pires de Carvalho
Fernandes. Ele se chama “O que você tem na cabeça?” e está instalado em
frente ao prédio da Fiesp, na avenida Paulista.
A “Vivo” ainda não decidiu o que fará com os orelhões após o término da exposição. Tomara que eles fiquem no mesmo lugar.
Confiram os orelhões
AQUI